sábado, 5 de fevereiro de 2011

In Memoriam: Kenneth Grant (1924-2011)


Kenneth Grant morreu em 15 de janeiro 2011, após um período de doença. Nossas condolências, em primeiro lugar à sua família, cuja privacidade é algo que todos desejamos respeitar neste momento difícil.


Kenneth Grant teve uma vida extraordinária, e seu trabalho tem uma profundidade marcante e amplitude de visão mágica e mística. Em particular, sua monumental série de trilogia Tifoniana é criativa, inovadora e inspiradora, que se estendem por 30 anos a partir da publicação do volume de abertura de The Magical Revival em 1972 (1), ao aparecimento do volume final The Ninth Arch, em 2002. Este é um corpo substancial de trabalho, constituindo uma base sólida para o desenvolvimento, alargamento e aprofundamento nos anos que virão; seu trabalho continuará.

Michael Staley,
01 de fevereiro de 2011.

Nota: The Magical Revival foi publicado em Português pela Madras Editora sob o título “Renascer da Magia” com a tradução do meu querido amigo Cláudio Breslauer.

Tradução de Cláudio César de Carvalho – 2011©
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O que eu posso falar de Kenneth Grant?
Tive o meu primeiro contato com ele no fim dos anos 90 por meio de cartas. Ainda que eu não tenha o conhecido pessoalmente, pude conhecê-lo nas entrelinhas do que ele escreveu para mim em particular, aliado aos seus escritos que contem uma profunda sabedoria iniciática. Para mim, Kenneth Grant, ou Velho Corvo como o chamei uma vez, foi o maior Iniciado no século XX, quando falo Iniciado é porque ele era completo. Contudo, uma das poucas coisas que me vem em palavras é a sabedoria que provem de um homem que realmente viveu, experimentou, e bebeu da Fonte mais sagrada. Sua percepção e entendimento do mundo é fruto de uma recuperação do seu Eu no qual esquecemos quando encarnamos.
Vivemos em um mundo esquecido dos seus Eus, onde há tribulações e consumismo ininterrupto do Ego. A todo o momento o mundo se consome sob sua égide, mas também, a todo instante o mundo tem a chance de dar o salto. Quando falo mundo, falo de cada ser humano. Grant tentou mostrar isto em seus escritos, e principalmente em seus romances que eram em sua maioria experiências que ele teve no decorrer de seu processo de Iniciação. Contudo, creio que ele sabia que no momento que atravessamos muitos não conseguiriam perceber o que estava colocado nas entrelinhas dos seus escritos, verdadeiras palavras vivas cujo lesemysterium leva a cada um de nós a vivenciar novas percepções que havíamos experimentado em nossos Caminhos. Iniciação é Interação viva e plena com você mesmo, o entendimento do mundo em todas as suas nuances através de seus sinais e movimento. É a simplicidade.
O velho senhor de Londres, já não está mais lá, observando as estranhas criaturas que transitavam no Outro Lado. Mas algo está acontecendo, uma mudança, uma transição... Vendo a Morte como uma curva da Vida, e que se encontram em uma vereda de rara beleza, posso falar que a morte de Kenneth Grant significa um novo processo, uma nova perspectiva de continuação de sua Obra, dos giros infindáveis do Fluxo da Corrente Criativa, que sempre está em transformação, afinal, Mudança é Estabilidade.
Sigamos o nosso curso, façamos o nosso Caminho, para sermos absorvidos no Coração da Corrente. E levamos em memória um dos grandes expoentes da Tradição Oculta, Gregor Kenneth Grant (1924-2011).

Cachoeiras de Macacu, 01 de Fevereiro de 2011 e.v.
Cláudio César de Carvalho