Por David Beth, Hochmeister Fraternitas Borealis
"Sempre que submetermos um talismã violado – a Cruz – em seguida, virá de volta um rugido da loucura selvagem dos antigos guerreiros, com todas as suas… a ira de Berserker, de quem os nossos poetas nórdicos falam e cantam. Este talismã já está agora ruindo, e o dia não está longe quando ele for divido por completo. Nesse dia, os velhos deuses de pedra surgirão de seus longos destroços esquecidos e esfregarão de seus olhos o pó de mil anos de sono. Enfim o último salto para vida, Thor com o seu gigantesco martelo irá esmagar as catedrais góticas. E não riam nos meus presságios, o conselho de um sonhador que previne você distante de. . . Naturphilosophen. Não, não ria do visionário que sabe que no domínio dos fenômenos vem logo a revolução que já teve lugar no domínio do espírito. Pois o pensamento vai antes da proeza como relâmpago antes trovão ".
(Heinrich Heine)
INTRODUÇÃO
Agora pela primeira vez foi decidido fazer publicamente disponível um documento de uma misteriosa comunidade mágica e filosófica chamada Fraternitas Borealis. Hoje esta organização de mulheres e homens trabalha internacionalmente sob o ‘Hochmeister’ (Grande Mestre) alemão David Beth, que é também um dos maiores adeptos da O.T.O.A./L.C.N. de Michael Bertiaux e da Ecclesia Gnostica Aeterna. Fraternitas Borealis não é o nome original desta organização, mas foi decidido que F.B. é mais adequada para representar os objectivos da Ordem e do patrimonio em nossos tempos. Embora não queiramos explanar a história da ordem até este ponto, vamos contudo mostrar alguns fatos interessantes. Este grupo foi formado na Alemanha na segunda metade do século XIX. Os fundadores estavam, além de profundamente envolvidos nas tradições pagã/gentia e esotérica/oculta (da Alemanha), também muito próximo ao que é conhecido como Naturphilosophie (Filosofia Natural) e Lebensphilosophie (Filosofia de vida). Será suficiente para o nosso propósito mencionar a estreita ligação da Ordem com Ludwig Klages [1], Alfred Schuler [2] e o Círculo Cósmico (Kosmiker-Kreis). Sabemos também de uma possível ligação direta com C.G. Jung através de pessoas do eixo bohemio "Schwabing-Ascona“. Os iniciados da F.B. nunca discutiram abertamente os seus trabalhos e nunca publicaram nada fora da organização. Por boas razões, já que suas ideias de oculto e trabalho mágico estavam estreitamente ligadas ao sigilo e arcana (mistério). Novos iniciados eram apenas "recrutados" por convite e nunca por publicidade de membros. Este segredo tornou-se ainda mais importante após a cena oculta e mágica, em especial na sua forma pagã e volkish (popular), tornar-se cada vez mais obcecada com ideias profanas de raça física, que nunca foi a idéia ou enfoque da F.B. Longe de ser uma organização típicamente volkish, a F.B. nunca foi interessada na definição ou criação de uma raça física superior através da divisão em raças físicas ou idéias semelhantes. Em vez disso, estava preocupada com a criação metafísica e universal de um "Übermensch" (Super-homem) utilizando ferramentas ocultas, mágicas e initiáticas que tinham sido transmitidas aos seus iniciados via tradição hiperboreana, neste caso, do norte.
Foi e é uma tradição gnóstico-mágica universal. “Hiperboreanos“, tal como definido no sistema da F.B. é uma "raça" mental de Übermenschen independente da herança racial profana, como "Ariana" ou "Eslava", etc. Na verdade membros da Ordem são de uma grande variedade de backgrounds raciais unidos em uma aristocracia da alma e espírito. Como no sistema de Voudon Esotérico de Michael Bertiaux, qualquer pessoa que tenha o potencial para se conectar e utilizar a corrente será capaz de trabalhar dentro da F.B. e traz para plena radiação a mística Blutleuchte (luz do sangue) dentro de si mesmo. Uma força central mística por trás de todo o nosso trabalho é o que o filósofo e metafísico Ludwig Klages tem tão adequadamente denominado eros kosmogonic, o Eros criador de mundos que tem muito pouco a ver com amor sentimental ou erotismo profano.
O que se segue é um recente artigo escrito para uso na F.B.
KRISTO-SOL DE DEUS
Somos uma ordem de homens e mulheres guerreiros. Nós aderimos à ética do antigo guerreiro-sacerdote hiperbóreo como relatadas a nós pelos nossos ancestrais. Coragem, honra, sacrifício, lealdade e respeito pela natureza são partes totalmente integrante desta forma de vida. Somos, em princípio, uma comunidade solar e, portanto, nossos mitos estão de acordo com isso. Solar no nosso sistema não pretende significar o princípio masculino per se. Não estamos interessados em manter qualquer sistema ou mundo patriarcal, nem estamos interessados em re-estabelecer um culto matriarcal. Sabemos que só a fusão de ambos em um sistema simbiótico pode trazer a nova era dourada, que vai seguir esta idade do lobo. O culto Solar é o único racional e cientificamente lógico culto já que o sol é o doador da vida. Os nossos ancestrais sabiam disso e é tempo de reconhecer isto e utilizar os poderes mágicos nisto contidos. Nós somos solares, não somente por causa da ligação à natureza e ao fogo que dá vida do sol físico, mas também porque nós reconhecemos e carregamos os segredos e mistérios do Sol Negro, um misterium tão multienxertado que não temos tempo de discuti-lo aqui .
Há muita controvérsia sobre o cordeiro, a figura de Cristo tendo um lugar nos nossos mistérios. A resposta simples é: ele faz muito – na forma do Kristo Solar, o Sol de Deus. Poderíamos na verdade também nos chamar Cristãos solares e não incorreríamos em erro. Na nossa escola, o mito de Cristo não está estreitamente associado com a adoração do sol na sua forma primitiva, mas com uma elaborada transferência e absorção das qualidades solares dentro da figura de Cristo e assim criando uma poderosa imagem de deus e egregora apropriada ao nosso trabalho como magistas alquímico-sexuais e monge-guerreiros.
Desde o início da Cristandade, esta verdadeira relação de Kristo com o sol só foi feita em algumas seitas de gnósticos, todas descendentes de e, portanto, trabalhando na antiga tradição hiperboreana. Encontramo-las nos cultos da serpente gnósticos Ofidianos como o La Couleuvre Noire, que, pela equiparação de Cristo com o Sol o relacionou também a Damballah e Leghba. Ele é, portanto, o Deus Sol nas encruzilhadas. Uma fórmula mágica de aplicação permite, por conseguinte, aos magistas sexuais ofidianos sacar contra toda a magia feita em nome de Cristo e tranferir seu poder aos seus ritos. Toda a energia psíquica gerada pelos fiéis em Cristo é armazenado em um grande reservatório astral que, assim, pode ser extraída pelo magistas sexuais que utilizam a energia para dar poder aos seus ritos.
O mesmo foi feito por secretos cultos esotéricos solares germânicos, aberto a homens e mulheres, que estavam e estão em estreita relação espiritual com cultos da natureza mencionados acima. Estes magistas germânicos transformaram a imagem de Cristo, que foi apresentada a eles e infundiram nela todas as qualidades de seu antigo sistema de crenças pagãs e, assim, ele foi transformado em um poderoso senhor guerreiro encarnando as virtudes e poderes secretos dos antigos deuses.
Um ótimo exemplo disto é encontrado em um dos primeiros poemas cristãos no corpus da literatura anglo-saxã, o "Dream do Rood" (Sonho da Cruz). No poema, o poeta descreve o seu sonho de uma conversa com a madeira da Verdadeira Cruz. Jesus é retratado como um heróico modelo de guerreiro Germânico, que enfrenta sua morte e derradeiro sacrifício de sangue resolutamente e mesmo ardentemente, assim sendo transformado no Kristo solar, corajosamente indo para sua morte para lutar e vencer as forças das trevas que representam a morte. Neste sentido, o Kristo pode ser visto como Ingui e talvez como Donar (Thor), forças combatentes de escuridão e caos. A Cruz (a antiga fé Cristã e Pagã Germânica viu o espírito de Deus percorrendo através de todas as coisas. Tudo tinha um espírito, mesmo os aparentemente objetos inanimados, tais como uma cruz de madeira), falando como se fosse um membro do bando dos partidários de Kristo, aceita seu destino enquanto observa seu Criador morrer e, em seguida, explica que a morte de Kristo não era uma derrota, mas uma vitória. Um exemplo perfeito do ideal germânico-hiperboreano do sacrifício (de sangue).
Alguns estudiosos do "Dream do Rood" tem afirmado que a Cruz é feminina, e compartilha uma estreita, quase relação sexual, com o ultra-masculino Kristo. O fato é que a Cruz afirma que os romanos torturaram "unc butu ætgædere" (nós ambos, em conjunto) e aponta para uma estreita relação pessoal e simbiótica entre a Cruz e o Kristo. Onde acadêmicos arranham na superfície, para nós iniciados isto tem sido sempre claro e sabemos da precisa fórmula mágica sexual que está por detrás desta suposição acadêmica. Na verdade, diz respeito a um poderoso mistério da Cruz e do Kristo que está intimamente relacionado com um outro mistério sexual hiperbóreo, aquele da Soror Mystica. O poema anglo-saxão termina com a prece do poeta à Cruz para que ele pudesse entrar no bando dos seguidores de Kristo, como um verdadeiro cavaleiro. Para os iniciados germânicos a cruz se tornou a versão kristianizada do conceito deles do cosmos, que representou a Árvore do Mundo, a Irminsul. O Deus Wotan (Odin), como Kristo, sacrificou-se em uma árvore (a cruz é frequentemente referida como uma árvore) e não lhe foi dado comida nem bebida. Seu lado foi perfurado com uma lança assim como Kristo e pela submissão deste julgamento e passando através de Hel, o mundo dos mortos, ele simbolicamente morreu e no verdadeiro costume gnóstico renasceu em um estado físico e espiritual mais avançado.
Através da Cruz, Kristo-Wotan simbolicamente passa para adiante deste mundo, no paraíso/pleroma. Primeiro, porém, ele desce em Hel e toma as almas dos danados levando-os até ao céu com ele trazendo-os em plenitude e igualdade com Deus. A cruz é, portanto, uma espécie de portal entre este mundo e os outros mundos que estão além da nossa percepção humana. Ao descer em Hel (l), Kristo-Wotan supera a morte e as forças das trevas. Morrendo e sendo renascido ele volta ao Pai e se senta no trono dele no interior de todo tempo e espaço, e isso é precisamente aquilo que temos como objetivo a alcançar em nosso trabalho. Existe um rito solar hiperbóreo xamanista em que o iniciado utiliza uma experiência quase fatal para viajar para realidades e universos alternativos. O iniciado (como Wotan) submete-se a esta experiência, na beira da própria morte, a fim de obter uma visão sobre a natureza do cosmos. No entanto, essa busca é para mais do que apenas sabedoria e entendimento. Viajando através Hel e no coração do cosmos, nós, os iniciados, estamos sendo unidos ao perpétuo fluxo da rede de Wyrd. Em outras palavras, somos capazes de transcender tempo e espaço, de estar em todos os lugares e todos os tempos de uma só vez. E após o último rito e o último sacrifício, o iniciado hiperbóreo da nossa tradição está vendo tudo e conhecendo todos, não apenas porque ele ganhou a profunda sabedoria e compreensão do universo, mas porque ele existe no interior dessa sabedoria e entendimento.
Nestes mistérios mágicos do Kristo-Solar repousa grandes segredos. Eles mostram como certos cultos, que trabalham na tradição solar hiperbórea, são capazes de utilizar o poder-Kristo e tem uma vantagem sobre todos os outros sistemas no mundo, visualizando e utilizando o mito solar a partir de sua perspectiva esotérica e mágica mais correta.
Notas:
[1] Ludwig Klages (1872-1956) foi um filósofo, psicólogo e um teórico Alemão no campo da análise de caligrafia. Ele criou uma teoria completa da grafologia e por muito tempo foi será associado aos conceitos de níveis de forma, rítmo e interpretação bipolar. Ele é importante porque junto com Nietzsche e Bergson ele antecipou a fenomenologia existencial. Ele também cunhou o termo logocentrismo nos anos 20. Klages estudou química, física e filosofia na Universidade de Munich onde também lecionou.
[2] Alfred Schuler (1865-1923), para os espectadores, fundadores religiosos, era um Gnóstico, visionário e considerado um Mistagogo. Foi chamado o último Cátaro Alemão. Schuler, um reconhecido gnóstico neopagão, abriu o caminho para George e Stefan Ludwig Klages. Mesmo sem um livro publicado durante sua vida alcançou um amplo efeito. Depois de muito estudar Schuler viveu como um estudioso recluso em Munique, do qual só saia para curtas viagens.
http://kosmic-gnosis.org/home.html
Tradução de Lília Palmeira
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1 comentários:
Caro:
Meus comentários à respeito do referido texto estão postados aqui:
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=24446856&tid=5265157987038295921&na=1&nst=1
E aqui também:
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=62083173&tid=5264480215429183345&start=1
Sem mais para o momento, subscrevo-me.
Rubens Bulad
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