sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

TERAPIA & INICIAÇÃO

Uma das coisas mais difíceis que há é tentar corrigir um erro de interpretação. Um erro assim se deu com a palavra Terapia que no correr dos anos se tornou sinônimo de psicanálise ou “coisas piores”.
Para começar devemos ir ao passado, quando os gregos – sempre os gregos – cunharam termos que facilitassem o entendimento de certos ensinamentos mais antigos que eles estavam pesquisando.
Therapia (Θεραπεια) é uma palavra grega que significa cuidado, previsão, solicitude, trato cuidadoso. Então tudo o que se faz com cuidado se faz de modo terapêutico. Dormir, acordar, escovar os dentes, comer, tomar banho, ler, escrever, falar, e tudo o que o ser humano faz cotidianamente sem prestar atenção se feito com total atenção e cuidado é terapia. Cuidar da maneira correta de sua vida, sua casa, seu trabalho, sua educação, filhos, amigos, empregados, clientes – é terapia. Estudos, práticas, exercícios espirituais – é terapia.
É a atenção ao que se faz no dia a dia que traz o ser humano ao que entendemos por Iniciação. Daí surge uma afirmativa:
TODO INICIADO É UM TERAPEUTA, mas nem todo “terapeuta” é um Iniciado.
Sobre essa afirmativa alguns coisas devem ser entendidas:
- Iniciado é aquele que consegue através de seu próprio mérito promover as mudanças necessárias para atingir novos estágios de consciência em si mesmo.
- Não existe a possibilidade de alguém “dar” iniciação a outra pessoa. O máximo que ocorre é mostrar via de acesso através de algum método ou sistema.
- Achar que se vestir diferente, usar outro nome, rezar para este ou aquele deus, fazer “rituais”, vai fazer diferença é pura ilusão ou esperança.
A Terapia é holística. Não adianta cuidar de partes. O todo deve estar envolvido: corpo, mente/emoções e espírito. Essa divisão artificial desaparece quando compreendemos que o desenvolvimento Espiritual tem efeitos terapêuticos e a clara visão e conseqüente solução dos seus problemas – internos e externos – torna o homem mais livre, mais o que o Ser realmente É.
Terapeuta é todo aquele que cuida de si mesmo e através deste cuidado alcança a Iniciação podendo então, e só então, cuidar de outros de maneira correta e total. Mais uma coisinha. Um real Terapeuta, como entendido no passado remoto, sabe de antemão respeitar o processo do outro. O ‘tempo’ de cada um e a hierarquia do Três.
Para cuidar de si mesmo é necessário o autoconhecimento. A maioria das pessoas pensa que para “atingir” o autoconhecimento é obrigatório pertencer a alguma ordem, religião ou “grupo iniciático”, pois crê necessitar de um apoio externo e equilibrador em seus momentos de lutas. Nas fases iniciais do seu caminho pode ocorrer de outro individuo servir de intermediário do que vem dos seus níveis profundos, mas chegará o momento em que ele deverá assumir esse caminho contando com aquilo que a vida interior lhe proporciona diretamente. Para avançar, então, será necessário deixar para trás o que em etapas anteriores pode ter sido útil. Transcender vínculos humanos é, portanto, crucial à ascensão, ainda que certas pessoas quase sempre justifiquem seus apegos com fortes argumentos.
Astrologia, Numerologia, Quirologia, Tarologia, Psicologia e outras ciências mais ou menos formais são apenas utensílios, dispositivos de ajuda para o processo de autoconhecimento. Crenças e religiões são apenas suportes que auxiliam o processo. As técnicas ou práticas existentes são apenas os meios para se alcançar esse estado. A metodologia é individualizada, pois cada um deve se identificar com a técnica escolhida para tal. O conhecimento também é importante, pois o estudo das matérias propicia uma melhor compreensão do processo.
Porém nada disso é fundamental! São apenas métodos.
É a mente (consciência sensorial) que percebe o mundo e que constantemente produz pensamentos descontrolados. Espiritualidade é o Despertar da Consciência que leva à Liberdade. Essa liberdade é obtida através de um processo gradual de transformação da consciência sensorial. Através da transformação da mente, experimenta-se um outro aspecto do ato de ser, onde o “EU” emerge da consciência e passa a direcionar seu Caminho.
As terapias mais completas devem visar como meta básica o crescimento Espiritual e a libertação do Ser, a abertura de novas dimensões de existência e de novos mundos em seu universo Espiritual. A chave principal parece ser o equilíbrio das polaridades no mundo dual. Com muita propriedade Zivorad Slavinski diz: “A descoberta e a Neutralização das Polaridades Primordiais parece, inicialmente, ser a descoberta do nosso tempo, mas sábios de todos os tempos a conhecem. Os símbolos Ying e Yang são as perfeitas representações gráficas e visuais dos Primus. Se você os observar, verá que cada Polaridade contém a outra Polaridade como um ponto. Seis séculos antes de Cristo, o sábio chinês Lai-Tzu certamente os conhecia. Suas palavras foram guardadas: “De um vem o dois, do dois vem o três, e do três vem todo o universo.”.
Também no ocultismo do século 19 e na primeira parte do século 20, a Neutralização dos Opostos ou Polaridades foi considerada como o arcano ou o segredo maior. Os mestres do ocultismo conheciam os Primus.
Alguns de nós pisam em dimensões além das Polaridades Primordiais por breves momentos. Sem dúvida, alguns seguidores dos ensinamentos Espirituais tradicionais fizeram isso antes de nós e é bem possível que algum grupo ou indivíduos do mundo estejam fazendo isso agora enquanto você lê.”
A mente, com a vaidade que lhe é própria, costuma fazer com que a pessoa se considere num patamar do qual em realidade apenas principia a acercar-se. Por isso os verdadeiros místicos e os ocultistas alertam reiteradamente: a humildade deve estar presente em todas as etapas do caminho.
Só através do estudo vem a discriminação sobre o que estamos lendo e aprendendo. E isso vale para tudo o que estou escrevendo aqui. Estudar, não apenas ler e achar “bacana”. “Erudição demais” não faz mal como pensam alguns. O erro está em se apegar ao conhecimento adquirido se dando por satisfeito em ser reconhecido pela sociedade como “alguém importante” por causa desse conhecimento. Tudo o que estudamos deve ser posto em prática no Cotidiano ou não serve para coisa alguma, a não ser alimentar o ego já hiper-inflacionado.

Lília Palmeira, 2008©  
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